quinta-feira, agosto 16, 2007

AÍ VEM A AURORA...

Quando penso na última viagem
E meu cabelo se agita, pela aragem
Que se levanta na espera de embarcar
Uma lágrima furtiva desce o rosto
E meu coração é fogo posto
Pela saudade dos que vou deixar...

E minha barca ao longe, se agiganta!
E eu choro e minha alma canta
Belas canções antigas, de embalar
Ó céus, ó mares, ó ventos, penedias
Adeus, adeus, que se findam meus dias
Na doce aurora que me vai levar...

Adeus ó fontes, regatos, ribeiras
Adeus vinhedos, campinas, ceifeiras
Adeus ó gente, meu povo, meu lar
Adeus aldeia, ó casa dos meus
Adeus amigos queridos, adeus
Aí vem a aurora para me levar!...


Maria Mamede

17 Comments:

Blogger Maria said...

É um belíssimo poema, mas é tão triste dizer adeus....
... sobretudo quando é assim, em jeito de despedida, como quem parte para nunca mais voltar...
Soubessemos nós, Maria, quando viria a tal, a quem chamas (tão lindo) aurora.... soubessemos nós e as pequenas coisas teriam outro valor...

Um beijo, Amiga

8:56 da tarde  
Blogger De Amor e de Terra said...

Minha querida Maria, eu acredito que é linda a tal aurora...
e que depois dela haverá outras, mais belas ainda!
Daí o poema.

Obrigada Amiga pelas palavras e pela vinda.
Beijo
Maria Mamede

9:06 da tarde  
Blogger Sophiamar said...

Espero que a aurora que pareces aguardar para que te leve, tarde em chegar. És uma amiga, uma doce companhia aqui neste mundo virtual que comecei a conhecer em 15 de Fevereiro de 2006. Ao contrário do que pensava, aqui, as amizades nascem, crescem e criam raízes como as reais.Afinal são iguais! Estas partidas/ despedidas são muito dolorosas.Muito!Sinto o coração oprimido, dor no peito, a voz embargada.
Por enquanto não vou partir. Escolhi este poema de Torga porque a sensação de perda de alguns amigos da blogosfera me tem deixado triste.Agora ainda mais.
Espero que regresses, Maria Mamede e que mantenhas estes blogues. És uma preciosidade neste mundo.
Beijinhos com amizade profunda. Aguardo o teu regresso...em breve.

9:42 da tarde  
Blogger De Amor e de Terra said...

Olá Linda, não te assustes!
É só tristeza e neura...

Coisas do coração; logo passa!

Beijos Amiga pela tua vinda e teu cuidado!

Maria Mamede

10:37 da tarde  
Blogger Victor Nogueira said...

Viva :-)
Vês? Num dos meus blogs onde pouca gente vai - tu és uma das raras excepções - eu falo das palavras e dos seus olhos e lábios e das múltiplas leituras que as mesmas palavras podem ter conforme o ouvinte ou leitor.
Ao ler o teu poema cheio de movimento, entendi a uma primeira leitura que podia ser uma canção de emigrante. Uma segunda leitura, poderia dar a aurora como a chegada do amor.
Nunca a morte me veio à cabeça nem é é interpretação que este poema me desperte (continua)

7:27 da manhã  
Blogger Victor Nogueira said...

Encontro nele ritmo e movimento e, se o comparasse, seria não sei bem porquê ao ritmo de «Por este rio acima*, do Fausto.
Mas eu sou quase sempre diferente e, embora comente a sério, «comento» de maneira diferente da maioria. Aqui na blogosfera, mais vale cair em graça do que ser engraçado.
Se me deixasses, este poema com os meus comentários seria a tua 1ª contribuição para o meu 5º blog. Concordas?
Já vi ali o teu sinal madrugador e vou agora em busca da tua sempre bem-vinda visita e dos teus comentários com calor humano e conteúdo.
Bjo grande
VM

7:35 da manhã  
Blogger Victor Nogueira said...

Bi-olá :-)

Reli o poema e encontro nele um não sei quê de camoneano. Talves leve, mas ele traz-me também à lembrança a lírica de Camões.
Bjo
VM

7:40 da manhã  
Blogger De Amor e de Terra said...

Olá Victor, bom dia!
Então já por cá? Pensei que não madrugasses...

Quando escrevi esse poema, a primeira emoção foi para Rosalia de Castro a quem muito admiro, pois me parece ter algo dela...talvez do "Adeus rios, adeus fontes..."

Mas é bom "ouvir" opiniões de quem sabe.
Obrigada por teres vindo e deixado a tua opinião.

beijo
Maria Mamede

7:57 da manhã  
Blogger alexandrecastro said...

embora não a conheça (pois foi a primeira vez que por aqui passei)apenas para lhe dizer que a sua escolha foi deliciosa.um poema lindissimo.

2:54 da tarde  
Blogger De Amor e de Terra said...

Olá Alexadre, boa tarde!
Obrigada por ter vindo e pelas suas palavras.
Fico sempre feliz quando gostam dos meus poemas.

Abraço


Maria Mamede

7:48 da tarde  
Blogger Sophiamar said...

A aurora vem aí e eu ando por aqui já faz algum tempo.Irei, mais uma vez, apreciar o despontar do dia aqui mesmo junto à Serra do Caldeirão. De onde te escrevo, ouço os galos e vejo os cerros recortados no céu que, agora, pouco a pouco, irá ganhando a luz de mais uma manhã quente e soalheira.
Beijinhos minha querida amiga e companheira da manhã.

6:05 da manhã  
Blogger Sophiamar said...

Este comentário foi removido pelo autor.

6:38 da manhã  
Blogger Sophiamar said...

És blog 5 estrelas.Passa lá por casa.Não tens que aderir ao movimento. Eu votei no teu blog.
Beijinhos

6:46 da manhã  
Blogger Fragmentos Culturais said...

A sua poesia 'Aurora' é de grande sensibilidade!

Aprecio profundamente as pessoas que têm o dom de poetar como se respirassem!

Sinceros parabéns!

abraço

8:24 da tarde  
Blogger De Amor e de Terra said...

Obrigada a G.S.de Fragmentos Culturais, pela visita e pelas palavras.

É bom quando gostam da nossa poesia, muito bom!

Um abraço e que volte!

Maria Mamede

10:00 da tarde  
Blogger Meg said...

Foi tristeza também o que senti ao ler este poema. Estados de alma,
passageiros muitas vezes, mas verdadeiros, creio que sempre.
Beijos

10:49 da tarde  
Blogger TINTA PERMANENTE said...

Uma bela cantata das matinas!...
abraço

4:25 da tarde  

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