terça-feira, junho 11, 2013

sexta-feira, maio 31, 2013

Hoje é dia da Criança! Por isso, o meu poema é para as crianças e faz parte dum livro a editar, que tem por título "POEMAS COM O TEU NOME".



CARLOS

“Carlitos porta-te bem!”
Dizem o Pai e a Mãe
o Avô e mais a Avó
mas o Carlitos, maroto
puxa o rabo do Garoto
pobre gato, e não tem dó!
Mas gosta dos animais
e dá arroz aos pardais
que pousam no parapeito
da janela do seu quarto
onde em cima da mesa
tem  uma luz sempre acesa
por causa do Belisário
que é vermelho e divertido
e às vezes tão atrevido
que salta do aquário!


Maria Mamede

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CARLA

“Vá lá Carlita, vá lá
(diz-lhe , tão doce, a mamã)
são horas de ir prá escola!”
Mas a Carlita, ensonada
faz que não ouve nada
e quer voltar a dormir…
depois, sua Avó Rosina
de quem gosta a pequenina
diz-lhe também com carinho
“Carlinha, neta querida
são horas de irmos à vida
e o Pedro, teu vizinho
já está na rua à espera…
vá lá, é feio obrigar
um amigo a esperar
e olha o sol, é Primavera!”



 Maria Mamede

segunda-feira, outubro 22, 2012

A MANUEL ANTÓNIO PINA

                              (Na sua partida)


Vai!
Terás à tua espera
o rosto sorridente
do poema
no Café do Molhe
outrora cheio de perguntas
e outro
e outro
e mais outro
que um dia leram
a mordacidade
das tuas palavras
e entenderam
que escondido por elas
estava o homem vertical
e o poeta...
por isso
são esses rostos
que te acolhem
e abraçam
no lugar onde todos sabem
todas as respostas
pelo tempo além
até à hora do regresso!...


Outubro/2012


Maria Mamede

domingo, julho 08, 2012


Logo
mais tarde
quando por engano
ou hábito antigo
pegares no telefone
para me falar
lembra-te
da espera
dos silêncios cúmplices
dos desentendimentos
frágeis
das palavras carinhosas
de reconciliação…
recorda-te
dos pequenos presentes
dados a medo
no tempo descoberta
dos passeios no parque
em pleno Outono
da Primavera
com flores no cabelo
dos beijos inesperados /debaixo das buganvílias…

Maria Mamede
(in "A Casa Silente")

domingo, julho 01, 2012



COM GERSHWIN…

Com Gershwin
falo do meu amor por ti!
Desse
que só posso gritar ao mundo
num grito calado
abafado
que ninguém pode escutar
mas visceral e quente
amor diferente
amor final
sem igual
princípio e meio
do meu ilusório anseio
de antanho…
amor escondido
doído
sem tamanho
amor
que perdendo
ganho…
amor que recuso
mas com abuso
me invade a mente
e me tem
e que possui
o que sou
e o que fui…
ao mesmo tempo
outonal e cálido
caminho
que um verão de fogo
não deixou ainda
loucura
amarga e doce
e linda
amor sensual
brutal
de alma desavinda
e de sereno regato
ao luar;
amor inconformado
que se revolta
por se ver calado
e só em versos grita
a desdita
de não poder gritar!...

domingo, junho 17, 2012

UM HINO À CIDADE

Ai esse corpo cidade que a cidade vai abrindo
esse corpo de ansiedade nas vidas que vão florindo...

ai esse corpo violado que se esgueira pelas vielas
esse corpo maltratado nos corpos deles e delas...

ai esse corpo almofada sem atavios riqueza
corpo de pedra lavrada, corpo de vida burguesa...

ai esse corpo cidade com traineiras na lonjura
sempre manhã, sempre tarde, nos braços da noite escura...

ai esse corpo doçura no amor de quem lhe quer
esse corpo dedilhado, como guitarra-mulher...

ai esse corpo de espanto desta cidade brumosa
todo riso, todo pranto, todo amante ansiosa...

ai cidade marginal no desespero dos dias
Cidade Nobre e Leal de muitas democracias...

ai encanto de pintores, de poetas, doutros mais
de jardins cheios de cores, de tertúlias ancestrais...

és Cidade toda Povo de manjerico na mão
e és Porto de igualdade em Noite de S. João!...


Maria Mamede

segunda-feira, junho 04, 2012


NASCIMENTO

O dia tinha nascido
havia pouco
nascia uma “mulher”
logo depois
passou a mesa
a ter mais um talher
deixou na casa
de haver somente dois…
dorida e feliz
a Mãe sustinha
a “mulher” nascida
do seu seio
e no seu belo rosto
uma ruguinha
a mais, com ela veio
temendo o futuro
iniciado
pela pequena “mulher”
dormindo ao lado…

4/Junho/2012

M.M.

terça-feira, maio 22, 2012


RAPTO

Toma-me dos anjos
e leva-me nos teus braços
através dos caminhos
do luar
para lá da cordilheira…
toma-me dos deuses
e leva-me ao colo
abraçada a ti
para lá do azul…
contigo me farei pluma
e luz coada…
voemos então
enlaçados, meu amor
o infinito nos espera!...


Maria Mamede

domingo, maio 13, 2012


HOJE


Numa tela cinza
nua, nua, nua
teia e trama crua
toda tão sem cor
hoje, alguém pintou
esta minha vida
tão descolorida
só a dor ficou...
não deixou ficar
nem os dias mansos
com os seus remansos
de sol a brilhar
onde o céu azul
e a luz dourada
fosse pincelada
linda, de pasmar...
e o vento chegado
vinha tão molhado
de torcer as nuvens
de as fazer chorar
que a madrugada
também chegou triste
com tanger de sino
pr'alguém sepultar...
hoje não se ouviu
siar de gaivota
nem melro a cantar
ou piar de pardal
só o arvoredo
num bailado louco
diz que o sol é pouco
e enorme o medo
deste ritual!...

Maria Mamede



quarta-feira, abril 25, 2012

Em 2009, escrevi o poema abaixo, que infelizmente está cada vez mais actual.

NESTE MAIO

No Maio deste ano
nada peço...
cansada
no verso e no reverso
das bolorentas promessas
de melhora
é com dor
que vejo ir embora
a esperança que tive
e que professo...
mas crer, de verdade
eu já não posso;
e perdoem que vos diga
nós sempre tivemos
mais olhos que barriga
e acreditamos
porque queremos
no arranjo, por baixo do pano
e valorizamos o engano
a mentira, o dá-se um jeito;
quando se fará direito
o que entortamos?
E olhe-se bem
aquilo que logramos;
Já passaram 35 anos!
Dos cravos nem se sabe
murchos todos
nas promessas incumpridas
e nos danos
e no pão que falta em cada mesa;
que revolta me dá
e que tristeza
olhar os olhos
de quem sofre a rodos...
culpados?
Somos todos
ao cair, uma vez mais
no mesmo logro;
oxalá acordemos
num recobro
de diferentes promessas
sem perjúrio
do verbo ser igual
a conjugar
que latente em mim
há um murmúrio
de tormenta
prontinha a rebentar!...


30/04/09







terça-feira, abril 17, 2012

JE TE VEUX
(S/ tema de Erik Sadie)

Dedos no piano
correndo, correndo
depois outros dedos
no corpo e na alma
e o olhos desejo
e a boca sofrendo
e os dedos no piano
a valsa batendo…
et je te veux
simplement
comme ça, tout court !
Et doigts au piano
jusqu’á la folie
je te désir, te désir
te désir
nuit et jour, nuit et jour
nuit et jour !...


Maria Mamede

sexta-feira, abril 13, 2012

LEMBRANÇAS

Relembro as festas
Pascais
nas saudades da infância
e relembro a constância
do labor das matriarcas
que das finanças
mais parcas
por encanto, por magia
criavam tanta iguaria!
Lembro a alegria gulosa
de pequenos e crescidos
à mesa, farta de enchidos
e outras carnes
da casa
e relembro o grão
na rasa
e a farinha peneirada
pra fazer a doçaria…
relembro o pote
à lareira
sempre quente
plo borralho
e a alegria plo trabalho
acabado, ao fim do dia;
relembro flores, passarada
a cantar desenfreada
pela aurora e à tardinha
relembro a enchida
a cortinha
e o aroma a cidreira
do chá, na “chicolateira”
como dizia a avó
e aquele café em pó
no coador de flanela
de inigualável sabor…
relembro a cruz do “senhor”
trazida por muita gente
que de campainha
à frente
deixava a igreja, seu lar
e vinha-nos visitar!
Toda a gente à sua espera
ataviada a preceito
no fato de domingar
ajoelhava ao beijar
os pés da cruz
com fervor
como se fosse
o “senhor”
que estivessem a beijar;
tinham a alma no peito
tinham o céu no olhar!
E quando o dia
acabado
Nos chamava ao descanso
O sono era longo
e manso
Sem pesadelos
sem sustos
O dito sono dos justos!


Maria Mamede

domingo, março 25, 2012

DÁ-ME DE BEBER !

Dá-me de beber ó caminheiro
é longe a fonte
e eu já tão cansado
espero da tua água
aqui sentado…
dá-me de beber ó caminheiro!
Como dar-te água
meu irmão
se não trago comigo
odre nem tarro
nem sequer malga de barro
e a fonte é tão longe
meu amigo?
Tenho a concha da mão
mas ao chegar
já não terei água
pra te dar…
então caminheiro
abranda o passo;
agora pára e vê
este chão duro
onde quase jaz
meu corpo escuro
pela falta
daquela
que dá vida
ao mundo inteiro…
e se apenas trazes
para beber
as lágrimas que há pouco
vi correr
dá-me da tua sede
ó Caminheiro!...

Maria Mamede

domingo, março 18, 2012

OBRIGADA À VIDA

A vida foi passando e bem ou mal
deixou-nos olhar o fim da estrada
por isso, ao chegar o seu final
nós dizemos à vida, obrigada!

Obrigada pelo tempo de bonança
e pelas tempestades, obrigada
obrigada pela fé, pela esperança
obrigada ó vida, obrigada…

e a ti solidão, ó companheira
desta vida nossa, tempos fora
nesta doce/amarga caminhada

sem saber qual será a derradeira
agradecemos a noite, a aurora
obrigada ó vida, obrigada!...


Maria Mamede

sexta-feira, dezembro 09, 2011

S/ TÍTULO

Não procuro rima...
escolho apenas
um poema
que diga do desespero do logro
do desengano
da impotência
e vou juntando palavras
que falam por mim
pela minha voz
agonizando na garganta.
Não procuro rima...
o poema em verso
suavizaria esta raiva
que nasceu e cresce
dentro do meu peito
ao ver o meu País
verde e poeta
de joelhos
corda ao pescoço
como Egas Moniz
a hipotecar
o seu direito ao sonho
para saldar dívidas
que seu povo não fez!
Não, não procuro o verso!
A prosa é mais dura
e no caso
rima com REVOLTA!...

Maria Mamede

quarta-feira, novembro 09, 2011

RENASCIMENTO


Cai a noite no corpo
da palavra
na raiz
da emoção
e sobre os ombros
da vida
vergados pelo desamor;
e nessa treva
é urgente
semear
uma palavra
uma palavra apenas
que gerará
manhãs serenas
de palavras novas
fazendo aparecer
árvores frondosas
de emoções
e renascer
nos corações:
o amor
o amor
o amor!...


Maria Mamede

terça-feira, outubro 18, 2011

"CARTILHA" -(Orações - Matutinas)

(da Manhã)


Amanheceu…
que tenhamos um bom dia
amores verdade
da minha fantasia…
como Prometeu
roubamos aos deuses
o fogo do céu
e os homens, inquietos
roubaram
uns aos outros
os verdadeiros afectos
para alimentarem
a fogueira
que os há-de consumir
a vida inteira!


Maria Mamede

sexta-feira, outubro 07, 2011

"dos Pássaros"

Cantamos ?
Cantai!
pelo verde dor montes
a água das fontes
as flores, os pinhais
cantai a alegria
que a vida é um dia
de risos e ais…
Cantamos ainda?
Cantai!
É tão linda
vossa melodia
à chuva ou ao sol
cantai a tristeza
e a dor e a beleza
de cada arrebol.
Cantai!
Vosso canto
tem sempre o encanto
de a alma lavar
cantai
que sem canto
bem triste é o manto
de todo o quebranto/que vem pra ficar!

Maria Mamede


(in "CARTILHA" -Orações Matutinas-dos Pássaros)

domingo, setembro 18, 2011

CONVITE

Queridos Amigos e Amigas,
aqui vos deixo o convite para a apresentação do meu novo livro.
Gostaria de poder contar com a vossa presença, apesar de saber que muitos/as, embora gostassem, não
poderão fazê-lo.
Envio-vos ainda, um abraço enorme a cada um/a e a minha amizade.
Maria Mamede

segunda-feira, agosto 29, 2011

Como o povo escolhido...

Como o povo escolhido
errei
quarenta anos
no deserto
à espera da terra
prometida
e ao correr dos dias
chamei vida
nuns braços que sonhei…
ó desenganos
e perdida, tão perdida
eu acordei
sem idade, sem pátria
sem esperança
sem oásis de alma
e sem bonança
só deserto
fim de vida
onde cheguei!...

Maria Mamede


segunda-feira, agosto 22, 2011

JÁ NOS DEMOS TUDO...

Letra a letra
vão-se as tardes de amor
pelos pinhais
e o vento diz
que nunca mais
as teremos nossas
como antes...
já nos demos tudo
e foi tão pouco
tão pouco no tempo
e na poesia
sabe agora a muito
a nostalgia
das tardes de amor
já tão distantes!

Maria Mamede

segunda-feira, agosto 08, 2011

SUPLÍCIO


Tanto tempo errante
Deus do céu
sem terra de promessa!
E não há frio
que me enregele
nem sol
que me aqueça
nem luz que alumie
o sonho meu…
palmilho caminhos
passo a passo
olhar fugidio e baço
atravessando abismos
de secura
e se todo o mal
tem cura
porquê o meu
vai, manhãzinha
com a passarada
para regressar
noite calada
ao ninho
que perdeu?!...


Maria Mamede
(In "Canto Suspenso")


terça-feira, agosto 02, 2011

DENTRO DE MIM

Dentro do meu peito
um areal
praia de um dia
na viagem
que fiz cá dentro
e na coragem
que tive de mostrar
no temporal.
Dentro de mim
os versos
que tive d’escrever
‘té à tortura
e que sendo versos
de ternura
são dor, da seda
ao cotim…
e são tortura
da sandália ao salto alto
do tamanco rapelhado
à bota d’água
meus versos feitos choro
feitos mágoa
das noites de chuva
ao céu estrelado
da poeira do trilho
ao alcatrão
meus versos, todos, todos
mar de chão
meus versos paridos
como um filho
meus versos de pecado
e de perdão
e da fita de seda
ao pobre atilho;
ó versos natureza
na vertente
da água que corre
da nascente
ao mar, nesta praia
solidão
eu vos amo
como amo o sangue
que meu coração
a palpitar
faz jorrar, faz correr
faz jorrar!...


Maria Mamede

segunda-feira, julho 25, 2011

FAZ HOJE ANOS...

Hoje faz anos o meu Amigo FERNANDO PEIXOTO; apesar de fisicamente já não estar por perto,
andará por aí, de novo garoto ribeirinho, a brincar, como um dia já lhe disse. Para ele, este poema e a minha saudosa amizade...

FAZ HOJE ANOS…

Faz hoje anos
que o Santo
amadureceu para ti
as uvas tintas
de todos os quintais
e tu, como antes
empoleirado nos muros
foste prová-las…
faz hoje anos
que o velho pião
abraçou a faniqueira
(no”fio”)
e fê-lo rodar, rodar
até à margem esquerda
do Douro
ou até
à mão esquerda de Deus
e tudo se fez luz…
faz hoje anos
que a bola de trapos
e todos os outros brinquedos
se juntaram aos poemas
e aos amigos
à boca da cena
a lembrar
e a falar saudades!...

(Dia de São Tiago, 25/Julho/2011)
Maria Mamede

quarta-feira, julho 20, 2011

In "Em Corpo e Alma"

No arco do vento
na seta da espuma
nas ondas cambraia
chegando, uma a uma
na corça da luz
no fogo do espaço
nos braços em cruz
sempre que te abraço
desliza feliz
a alma e vai embora
e cantando diz
que chegou a hora
de ser arco do vento
e seta de espuma
cambraia, lamento
ou coisa nenhuma!...

Maria Mamede

domingo, julho 03, 2011

In "A CASA SILENTE"

Eu acredito
que há mortes de diferentes cores
para cada ser.
Pode ser tolice
mas quanto a mim
há-as de todas as cores
do arco íris
e depois delas
de muitas combinações
diversas.
A minha
a minha é AZUL!
Azul, como o meu nome…
e sei bem que foi
por causa disso
que começaste a gostar de mim.
Gostas de olhos azuis
dos azuis do firmamento
e enamoraste-te do Pássaro Azul
de que um dia te falei.
Depois, só depois
é que aprendeste a amar-me!
Mas, voltando ao início
acredito , sinceramente
que a morte tem cores diferentes
para os diferentes seres…
é claro que não sei
a quem compete a escolha
no entanto, a minha
fui eu que escolhi
e é AZUL…
perguntarão :-“Porquê?!”
Simplesmente
porque para mim
tudo que é belo na vida
tem essa cor
mesmo que a coloração
seja outra…
a alegria – é Azul
o ser que eu amo – é Azul
tudo que é bom­ - é Azul
e são também azuis
os pássaros
as flores
a vida
e a luz que de ti
se desprende
todas as vezes que
chegas
trazendo contigo
o sol
e uma garça
pousada no ombro!...


Maria Mamede

quinta-feira, junho 23, 2011

UM HINO À CIDADE

De vez em quando volto aos meus poemas à minha Cidade... este é um dos que mais gosto.



UM HINO À CIDADE

Ai esse corpo cidade que a cidade vai abrindo
Esse corpo de ansiedade nas vidas que vão florindo...

Ai esse corpo violado que se esgueira pelas vielas
Esse corpo mal tratado nos corpos deles e delas..

Ai esse corpo almofada sem atavios riqueza
Corpo de pedra lavrada, corpo de vida burguesa...

Ai esse corpo cidade com traineiras na lonjura
Sempre manhã, sempre tarde, nos braços da noite escura...

Ai esse corpo doçura no amor de quem lhe quer
Esse corpo dedilhado, como guitarra - mulher...

Ai esse corpo de espanto desta cidade brumosa
Todo riso, todo pranto, todo amante ansiosa...

Ai cidade marginal no desespero dos dias
Cidade nobre e leal de muitas democracias...

Ai encanto de pintores, de poetas, doutros mais
De jardins cheios de cores, de tertúlias ancestrais

És cidade toda Povo de manjerico na mão
E és Porto de igualdade em Noite de S.João!...



Maria Mamede

quarta-feira, junho 08, 2011

In "A INCOERÊNCIA DO SONHO"

As palavras ditas
meu amor
antes sonhadas
foram em mim
aprisionadas
pr ’ás gerar depois
e dar à vida…
palavras como mãos
e acariciam
palavras como voz
e que ciciam
a canção de embalar
jamais ouvida!

Maria Mamede

quarta-feira, junho 01, 2011

ANIVERSÁRIO

Faz tantos anos Mãe
tantos
que grávida de sonho
acalentaste a vida
no teu ventre
e se acaso este “hoje”
fosse “sempre”
como eu queria
poder voltar
em ti!
Faz tantos anos Mãe!
E eu nunca vi
ninguém
que dar amor
tão bem soubesse
e mais que todos
o amor merecesse
e tão pouco tivesse
ó minha Mãe!...

Maria Mamede

domingo, maio 22, 2011

PORTO (à vol d'oiseau)

(Às vezes, regresso ao deslumbre da cidade, para a cantar...)

PORTO (à vol d'oiseau)


Vê-se um velho casario
à borda d’água, lá longe
e em cascata a cidade
crescendo, sempre a subir
sem parar, sem desistir…
vê-se torres, chaminés
e lá em baixo, a seus pés
o traçado incongrutente
de ruas e de avenidas
de calçadas e vielas
com gente triste e contente
e a cidade a respirar
pela gente que vive nelas…
e as casas a crescer
e tanta coisa a ruir
há muita vida a nascer
e tanta, tanta a partir!
É velha a minha cidade
mas do velho se faz novo
pois não importa a idade
plo amor que tem seu povo…
é triste a minha cidade
mas tem tamanha alegria
que mesmo de pedra escura
e com sua luz coada
é cidade iluminada
que chora e ri, desbragada
impondo a sua figura.
E sempre que alguém se atreve
a insinuar, mofando
ter de pedra o coração
sua gente, gargalhando
seus escritores vai lembrando
seus poetas vai cantando
sua história desfiando
e cala a provocação!



Maria Mamede