quinta-feira, abril 30, 2009

NESTE MAIO...

No Maio deste ano
nada peço...
cansada
do verso e do reverso
das bolorentas promessas
de melhora
é com dor
que vejo ir embora
a esperança que tive
e que professo
mas crer, de verdade
já não posso;
e, perdoem que vos diga
nós sempre tivemos
"mais olhos que barriga"
e acreditamos porque queremos
no arranjo "por baixo do pano"
e valorizamos o engano
a mentira, o "dá-se um jeito";
quando se fará direito
o que entortamos?
E, olhe-se bem
aquilo que logramos.
Já passaram 35 anos!
Dos cravos nem se sabe
murchos todos
pelas promessas incumpridas
pelo pão que falta
em cada mesa;
que revolta me dá
e que tristeza
olhar os olhos de quem sofre
a rodos!
Culpados?
Somos todos
ao cair, uma vez mais no mesmo logro;
oxalá acordemos num recobro
de diferentes promessas
sem perjúrio
do verbo "ser igual"
a conjugar
que latente em mim
há um murmúrio
de tormenta
prontinha a REBENTAR!...

Maria Mamede

22 Comments:

Blogger Contracena said...

Quanta verdade neste poetar, que a Maria tão bem sabe lavrar.

... que emoção ainda sinto por ABRIL ter vivido e em MAIO renascido.

Beijo Maria.

(o "contracenar" descansa - de outras emoções)

8:45 da tarde  
Blogger Ed. G said...

Olá Querida Maria,

Em, "De Amor e de Terra", "Neste Maio" se ergueu, pois aposto neste meio, um Maio que se encheu amor e carinho para contigo partilhar.

Um Beijo Carinhoso,

Edg

4:37 da manhã  
Blogger Maria said...

Minha querida Amiga

Sendo que estou de acordo contigo no que escreves, eu NÃO DESISTO! NUNCA VOU DESISTIR!
Apetece-me gritar, e irei fazê-lo daqui a bocado.
Este povo, meu e teu, ainda não aprendeu. Desculpa tudo. Em nome nem sei do quê.
Não vou desistir NUNCA de tentar acordar este povo!
Façamos de Maio um Abril, de novo!

Beijos, Maria Mamede

5:55 da manhã  
Blogger Patrícia said...

Fabuloso, Maria. O Abril de outrora já não tem a importância merecida para os jovens. Não podemos baixar os braços e ver o barco afundar sabendo o destino que nos espera. Não foi para isto que muitos morreram, que tantos outros lutaram. Não para ver tudo o que construíram ser destruído. Não é justo.

Beijinhos, Maria=)
Patrícia

11:54 da manhã  
Blogger tulipa said...

Efemérides...
Dias internacionais...
Dias nacionais...
Para quê?
O pobre trabalhador tem cada dia menos razões para comemorar qualquer coisa. Existem cada vez mais filas no centro de emprego, os filhos vão para a escola sem comer, e até correm o risco de perder as casas por não conseguirem pagar as prestações.
E o dia que devia ser uma comemoração de direitos adquiridos, é cada dia mais uma jornada de luta.

No entanto, há outra efeméride: o meu "Momentos Perfeitos" faz hoje 1 ano.
Convido-te a vires brindar comigo!

Feliz "Dia do Trabalhador".
Bom fim de semana prolongado.

5:08 da tarde  
Blogger tulipa said...

MARIA MAMEDE

regressei ontem do Porto e arredores, vejo agora que vive na Maia; foi pena não ter sabido antes, pois tinhamos combinado um encontro, caso fosse do seu agrado.

Por acaso, conheci 3 pessoas dos blogues, foi muito interessante.
Beijinho.

5:10 da tarde  
Blogger casa da poesia said...

...i can't get no...satisfaction!...maio maduro maio...quem te pintou?!!!...e para ti...

"aetas:CARPE DIEM quam minimum credula postero"

7:42 da tarde  
Blogger MPereira said...

Este comentário foi removido pelo autor.

9:02 da tarde  
Blogger Suave-Toque said...

Quanta verdade li aqui, realmente nos acomodamos com as promessas, com as mentiras, com os faz de conta.
Mas que neste mes de maio seu coração possa estar cheio de amor para nos visitar.
Fico muito feliz de ter te volta no meu cantinho.
Beijos
Suave Toque

11:35 da tarde  
Blogger Graça Pires said...

Um poema de revolta. Tão legítima por ser de todos nós. Um beijo.

5:06 da tarde  
Blogger Meg said...

Maria Mamede,

Este não é um poema... é um grito de indignação e revolta, perante uma sociedade acomodada já a tantos vícios que nem dá por eles.

que latente em mim
há um murmúrio
de tormenta
prontinha a REBENTAR!
Se fosses só tu, querida Maria!

Um beijo de carinho

6:36 da tarde  
Blogger José Rui Fernandes said...

Este comentário foi removido pelo autor.

9:59 da tarde  
Blogger José Rui Fernandes said...

Se o poema sair à rua
se a canção continuar a gritar,
acordaremos todos, Amiga,
já ninguém nos há-de calar!
Um beijo,
JRF

10:04 da tarde  
Blogger Ana said...

Um poema a dizer o que muitos sentimos e só alguns sabem expressar de forma tão intensa como tu.
Um beijo, Maria Mamede.

2:13 da manhã  
Blogger Contracena said...

O "contracenar" já descansou, pelo menos até sentir necessidade de o fazer novamente.

Beijinho.
Fátima

1:15 da tarde  
Blogger Isamar said...

Deixo-te um beijo muito grande e um abraço apertado com a mais pura amizade. È deliciosa a tua poesia. Néctar para a alma.

Bem-hajas!

7:16 da tarde  
Blogger Serenidade said...

Quanta verdade incontida no seu interior,
se proclama sob a forma de palavras,
era tão bom poder bradar aos céus, nossa revolta,
vendo a construção de um mundo cada vez melhor que, acredito vamos ter:)

Maria, há muita coisa mal neste maravilhoso planeta Terra, mas acredito que estamos a caminhar a passos largos para uma Terra melhor, o que podemos verificar pelas pessoas de lindo coração como o seu que constactamos existir na blogosfera e não só.

Serenos sorrisos

2:45 da tarde  
Blogger Lmatta said...

lindo poema como sempre parabéns
beijos

5:49 da tarde  
Blogger Nilson Barcelli said...

Também agradeço e retribuo.

"Do teu olhar [que eu não vejo nem oiço, mas
sinto] não me bastam dois sorrisos nem o som
que a tua rouca voz rouba ao silêncio."

Nilson Barcelli
_________________

7:14 da tarde  
Blogger Contracena said...

Armanda, obrigada pela visita e pelo generoso comentário.

Um abraço solidário.
Fátima

8:59 da tarde  
Blogger Nilson Barcelli said...

Esqueci-me de dizer que o teu poema é fabuloso.
E que concordo com a mensagem que tão bem colocaste em cada verso.
Beijos.

6:48 da tarde  
Blogger avlisjota said...

Obrigado Maria pelo comentário, fiquei feliz por gostar do meu trabalho! A poesia da Maria é muito bela, é arte pintada, é arte esculpida, é arte amada, é verdadeira e transparente!È frontal e pronta a rebentar e como quero eu arrebentar também...Apesar de me sentir como a Maria o certo é que não consigo de momento escrever poesia como "NESTE MAIO" e gostava de começar a compor musicas de intervenção, mas não encontrei, poemas...
Beijos Maria e bom fim de semana

José

12:35 da manhã  

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