terça-feira, setembro 04, 2007

SOLILÓQUIO

Perfumei-me de alfazema
para te esperar
e não chegaste!
E começa a estar frio demais
para este vestido fino
tingido de papoilas;
sabes, já choveu bastante
embora eu não tivesse
abandonado
este banco de pedra
onde te espero
há tantas vidas!
Entanto, o tempo corre.
Desbotou-se o meu baton
de tanto beijar a ausência
e o meu coração
potro selvagem
vai agora a passo
pelos atalhos da espera!
Atormenta-me a demora...
antes, os rios
eram lágrimas
de saudade;
hoje, porém
tudo é deserto
na morte do verde.
Os sonhos, amarelo-desespero
começam a insinuar-se
no horizonte infindo
das memórias.
Rasguei minha alma
contra o casco do navio
onde viaja a esperança
e são já mortas
as horas
que deixei esquecidas
no cais do tempo...
já não sei se falo contigo
ou com aquela pega
que me olha do galho mais alto
solitária
como eu.
Ah meu amor
perfumei-me de alfazema
para te esperar
e não vieste!
E eu, aqui sozinha
há tanto tempo
creio já ter esquecido
o caminho de casa!...


Maria Mamede

40 Comments:

Blogger Maria said...

É bonito demais, Maria Mamede...
Fiquei com este poema (que li e reli) colado à pele...
Obrigada pelas emoções que me dás, aqui.

Beijinhos

6:30 da tarde  
Blogger Meg said...

"Desbotou-se o meu baton de tanto beijar a ausência..."
e seguiria na esteira dessa espera trabalhada nas tuas palavras tão sentidas e ...
Que dizer-te, senão que não me surpreendo, já.

Bjnhos

7:58 da tarde  
Blogger De Amor e de Terra said...

Olá minha Menina Maria; Obrigada Amiga...
sempre que o coração fala, é assim; saem em catadupa!

Beijos


Maria Mamede

8:02 da tarde  
Blogger De Amor e de Terra said...

Obrigada Meg; sempre de grande incentivo as tuas palavras para mim.

Um beijo enorme da

Maria Mamede

8:03 da tarde  
Blogger Sophiamar said...

Quem espera desespera mas parece-me que aqui a esperança continua até ao fim.
Lindo poema, minha querida Mamede.
Mais um a juntar a tantas centenas ou milhares de infinita beleza.
Beijinhossss

12:06 da manhã  
Blogger amigona avó e a neta princesa said...

Minha querida parabéns pelo poema...é tão bonito, tão forte! Obrigada por partilhares connosco...beijo...

12:31 da manhã  
Blogger C Valente said...

Perfumei-me de alfazema
Gostei do perfume que inebria o poema
saudações amigas

1:30 da manhã  
Blogger De Amor e de Terra said...

Olá minha querida Isabel; bom dia!
Obrigada pelas palavras, como sempre.

Apesar de tudo, a esperança resiste...
Cada vez mais hipotecada, mas teimosa!

Beijos

7:44 da manhã  
Blogger De Amor e de Terra said...

Obrigada Avó e Neta;
quando os outrso (as) no caso, gostam do que escrevo, a felicidde é completa!


beijos

Maria Mamede

7:45 da manhã  
Blogger De Amor e de Terra said...

Olá C Valente, bom dia!
A alfazema é dos aromas naturais de que mais gosto...
tem para mim um inexplicável cheiro a lavado e a campo, que me inebria mais que qualquer outro perfume; coisas da meninice...

Beijo


Maria Mamede

7:48 da manhã  
Blogger Sophiamar said...

Minha Querida Maria Mamede!

Voltei ao teu canto. Acabei de ler o teu comentário no Sophiamar mas, hoje, o poema que postei é teu.
Obrigada por me deixares ter-te como amiga. É com uma enorme gratidão que , hoje, te agradeço todas as palavras que me tens dirigido assim como a amizade que nelas está contida.

Bem hajas, Maria Mamede!
Beijinhos mil

8:43 da manhã  
Blogger De Amor e de Terra said...

Minha querida Isabel; que comovida estou Amiga!
Bem hajas!!!


Beijos


Maria Mamede

9:41 da manhã  
Blogger a.filoxera said...

Sempre a mesma capacidade criativa. Maravilhosa.
Tenho uma surpresa para ti no Escrito a Quente.
Beijos.

12:27 da tarde  
Blogger De Amor e de Terra said...

Olá Amiga, boa tarde!
Dizer Obrigada, é pouco, já o disse...parece-me que dizer "Bem hajas", embora igualmente comum, será mais à dimensão da tua generosidade.

Beijos e a Amizade da

Maria Mamede

3:15 da tarde  
Blogger Meg said...

Pelos atalhos da espera, da ausência e da demora se (des)fazem os nossos sonhos.
Porque hoje tudo é deserto...
Não me canso de te ler, e reler.
Beijinhos

6:42 da tarde  
Anonymous madrugada said...

É um enorme previlégio caminhar pelos trilhos da blogoesfera e encontrar poemas sumptuosos como este.

Eu vou,
mas volto.

Cumprimentos.

10:38 da tarde  
Blogger Alexandre said...

«de tanto beijar a ausência»... lindo!!! Tb já beijei muitas vezes a ausência...

Senti o perfume da alfazema que tão bem perfuma este poema...

Muitos beijinhos!!!

11:25 da tarde  
Blogger C Valente said...

Meia idade, faz lembrar meia garrafa cheia ou meia garrafa vazia (não é termo de comparação nem ofensivo) as pessoas tem a idade que tem , eu já passei a meia fiz em Agosto 61, e quando por brincadeira e só por brincadeira os novos me chamam velho eu respondo: Uma coisa é certa eu cheguei a esta idade , tu não podes dizer o mesmo, só o futuro o dirá
Saudações amigas com um beijo

11:59 da tarde  
Blogger Carminda Pinho said...

Lindos os seus poemas.
Vim aqui parar, através da homenagem que a Sophiamar lhe prestou e, que muito me enterneceu.
Vou voltar.
Beijinho

4:02 da manhã  
Blogger De Amor e de Terra said...

Que bom encontrar por cá a Madrugada, eu que tanto amo as horas primeiras em que o sol acorda!!!

Obrigada pela visita e fico esperando!

Abraço

Maria Mamede

7:08 da manhã  
Blogger De Amor e de Terra said...

Olá Alexandre; obrigada pela visita. Tenho-o lido ( muitas vez sem comentar) e encontrado nos Blogs de Amigas e Amigos que visito. Nem sempre a passagem (e a inspiração) dão para o fazer devidamente.
De todo o modo, fico feliz porque veio, porque deixou a sua mensagem e porque compreende o estado de alma!
...e tanta vez continuo a beijar a ausência!!!

Bj

Maria Mamede

7:13 da manhã  
Blogger De Amor e de Terra said...

Não falo de meia idade com tristeza, Amigo C.Valente, nem pensar!!! com nostalgia, com alguma saudade, às vezes, sim; e essa máxima de que fala, também a uso com frequência...

Obrigada e tenha um belíssimo dia!

bj

Maria Mamede

7:15 da manhã  
Blogger De Amor e de Terra said...

Bom dia Carminda; obrigada pela visita e pela mensagem.
Fico feliz que goste e mais ainda porque veio através dessa querida Amiga que é a Sophiamar, madrugadora como eu.

Um beijo enorme da

Maria Mamede

7:17 da manhã  
Blogger Alexandre said...

Obrigado pelo teu comentário agorinha mesmo, mas acabei de postar algo mais em consonância com o teu blog... se quiseres embarcar no comboio das sensações... estás convidada!!!

Muitos beijinhos!!!

12:16 da tarde  
Blogger TMara said...

não vou dizer como é belo e como o sinto...
Repito-me smp...
Mas tmb é triste.
Vês k há dias de todas as cores (sei k o sabes)?
principalmente em nossas almas.
Obrigada pelo carinho
Bjocas
Luz e paz

1:57 da tarde  
Blogger TMara said...

esqueci, tens uma gralha e como não gosto, nem tu, aqui fica:«...ou com aqule pega»
Bjocas

1:58 da tarde  
Blogger De Amor e de Terra said...

Olá Meg; outros dias virão Amiga...outros onde os dias não sejam cinzentos nem carrancudos e os beijos não sejam de ausência...
dói, mas passa; a vida dá e leva, mas dá de novo; e o amor, todo o amor, como dizia Vinicius e eu adoptei, só "É infinito, enquanto
dura"; então morto o Amor,façamos o luto e que viva o AMOR!!!

Beijo

Maria Mamede

3:49 da tarde  
Blogger De Amor e de Terra said...

Quase todos os dias, tenho o prazer de receber a Madrugada que a Natureza me oferece, mas esta, é a primeira vez que me aparece, assim saída da noite do desconhecido; Obrigada por ter vindo e pelo belo comentário.

Deixo a janela aberta para receber esta Madrugada sempre que queira aparecer.

Bj
Maria Mamede

3:55 da tarde  
Blogger De Amor e de Terra said...

Olá Alexandre; convite aceite, já fui buscar o bilhete e a bagagem de mão, que creio ser suficiente para a viagem.
Obrigada pelo convite.

Bj

Maria Mamede

3:58 da tarde  
Blogger De Amor e de Terra said...

Olá TMara; obrigada pela visita e pelo aviso.
Parabéns uma vez mais às duas e beijos.


Maria Mamede

4:00 da tarde  
Blogger Entre linhas... said...

Encontro no teu poema grande capacidade recreativa,parabéns por ess dom.
Bjs Zita

5:05 da tarde  
Blogger De Amor e de Terra said...

Olá Zita, boa tarde!

Obrigada pela apreciação!

Um beijo da

Maria Mamede

7:42 da tarde  
Blogger Sophiamar said...

Passei para reler o teu cheirinho a alfazema. Sabe tão bem! Deixo-te beijinhos e desejo-te um bom fim de semana.

10:06 da manhã  
Blogger C Valente said...

Passei, entrei e deixo o meu Boa tarde
Saudações amigas

2:41 da tarde  
Blogger C Valente said...

Bom fim de semana tambem
com um beijo

6:29 da tarde  
Blogger Bruxinhachellot said...

E a solidão deflora uma alma que antes pulsava de ansiedade pela espera do amado. Lindo!

Beijos fátuos.

12:45 da manhã  
Blogger Paulo Sempre said...

É sempre salutar sentir uma "neblina perfumada". Qual arco-íres...
Paulo

3:09 da manhã  
Blogger De Amor e de Terra said...

Olá Bruxinha; bom dia deste lado!
Bem vinda e obrigada pelas palavras.


Beijo


Maria Mamede

7:06 da manhã  
Blogger De Amor e de Terra said...

Olá Paulo, bom dia!
Fico feliz que seja sentida por si, essa neblina perfumada...
Obrigada por ter vindo e por me relembrar o Arco-Íris, de que tanta vez ando perdida!


Abraço

Maria Mamede

7:48 da manhã  
Blogger I LOVE YOU said...

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12:44 da tarde  

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