domingo, junho 17, 2007

SABORES

Sabe-me a pouco a cidade
sabe-me a vida demais
sabe-me o peito a saudade
doutras vidas ancestrais...

Sabe-me o tempo à fuligem
das chaminés do passado
sabe-mo o rio à vertigem
de quantos se têm matado...

Por vezes o Douro sabe
a aventura, a viagem
e no coração nem cabe
a 'sprança que vem n'aragem...

Sabe-me a dor o Barredo
sabe a iscas a Ribeira
e a Sé, sabe ao degredo
duma vida marinheira...

Sabe o Bonfim ao pousio
das terras por semear
e Lordelo ao bravio
dos matos, da beira mar...

Miragaia sabe à espera
do sobe e desce do inverno
e Ramalde, nesta era
a poluição, um inferno...

Vale Formoso, sabe a flor
Campo Lindo, a oração
E a Lapa sabe ao penhor
de D.Pedro, o coração...

Vestiu de festa a cidade
cheira a cidreira e a mosto
e mesmo em dificuldade
traz alegria no rosto...

Sabe a cascatas velhinhas
sardinha pinga no pão
e ao altar das Fontaínhas
em noite de S.João!...


Maria Mamede

4 Comments:

Blogger Bichodeconta said...

Olá Maria Mamede, não posso deixar de perguntar como vai essa saúde? espero que esteja quase restabelecida... Lindo esse seu poema que como sempre nos deixa com vontade de voltar.. Um abraço..

3:41 da tarde  
Blogger Bichodeconta said...

Voltei, mas este poema merecia a minha volta... Está lindo.. Andei por aqui a deambular, lendo, relendo.. Maria seu cantinho é uma maravilha.. Um beijinho...

5:05 da manhã  
Blogger TINTA PERMANENTE said...

Ai as iscas da Ribeira, as escadas do Barredo, as sessões do Batalha...
Vou ver a cascata das Fontainhas e os rabelos ao cais das padeiras...
Abraços de manjericos.

6:02 da tarde  
Blogger Menina_marota said...

Pois é... fiquei eu em casa... a dormir, só acordei mesmo quando os meus cães começaram a chorar com medo dos foguetes do Sr. da Pedra...

Beijo é sempre um prazer enorme ler-te ;)

6:10 da tarde  

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